26/10/06
aprendendo
aprendendo
foi ouvindo paratodos
revendo acentuação
que notei as redondilhas
existentes na canção
cipro neto me mostrou
só, nunca descobriria
o que chico escreveu
nessa letra que eu lia
wanderson uchôa
aprendendo
foi ouvindo paratodos
revendo acentuação
que notei as redondilhas
existentes na canção
cipro neto me mostrou
só, nunca descobriria
o que chico escreveu
nessa letra que eu lia
wanderson uchôa
Já tempo foi que meus olhos folgavam
de ver os verdes campos graciosos;
tempo foi já também que os sonorosos
ribeiros meus ouvidos recreavam.
Foi tempo que nos bosques me alegravam
os cantares das aves saudosos,
os freixos e altos álamos umbrosos
cujos ramos por cima se ajuntavam.
Permanecer não pude em tal folgança;
não me pôde durar esta alegria,
não quis este meu bem ter segurança;
ainda neste tempo eu não sentia
do fero Amor a força e a mudança,
os laços e as prisões com que prendia.
Um cordel para Jabor – Por Jorge Filó
Este cordel que apresento
Sem nenhuma pretensão
E mesmo que lhe pareça
Ser verdadeira a versão
Ainda que eu não garanta
É uma mera ficção.
Assim começa o cordel
Justo na reflexão
Tô falando do espelho
Da nossa imaginação
Que as vezes num belo dia
Prega em nós grande lição.
Como se Arnaldo Jabor
Num exame de consciência
Um belo dia acordasse
Com toda sua eloqüência
E em conversa mostrasse
Sua verdadeira essência.
"Caros amigos leitores
Eu sou Arnaldo Jabor
Cineasta e jornalista
Direitista e traidor
Também sou um caga-pau
Xeleleu e delator.
Do clã Roberto Marinho
Sou baba-ovo da hora
Digo só o que eles querem
Creio e nego, sem demora
Sou um neo-liberalista
Por enquanto, ate agora..
Um dia já fui esquerda
Era na luta engajado
No cinema brasileiro
Contestei fui contestado
Hoje meu cinema é outro
Pelo poder fui comprado.
Hoje voto na direita
No maior descaramento
Nego tudo que outrora
Mostrava em meu pensamento
Glauber Rocha tando vivo
Seria o meu tormento.
Mudei de convicções
As antigas companhias
Agora sou um amigo
Das grandes oligarquias
Digo tudo qu`eles mandam
Mentiras, patifarias.
É assim que a coisa anda
É assim que o mundo gira
Sou um lobo carniceiro
A serviço da mentira
Se eu não tirar o meu
Chega outro vem e tira.
Faço uso da palavra
Pra defender meu quinhão
Quero mais é que se f….
Quem defende esta nação
Meu caviá garantido
Para quê preocupação.
Sou perverso no que digo
E ainda sou respeitado
Pois a mentira é quem dita
Dita por quem ta do lado
Dos grandes exploradores
Do poder televisado.
Faço do verbo navalha
Quero mais é ta por cima
Vai viver sempre enganado
Aquele que subestima
A minha capacidade
De cagar uma obra-prima.
Agora devo ir embora
Meu trabalho me espera
Vou inventar outra estória
Para parecer de Vera
E quem ler sempre acredita
Na minha nova quimera."
Este cordel esquisito
Que acabamos de ler
É fruto do pensamento
Que acabo de escrever
Me chamo Jorge Filó
Em mim você pode crer.
Um forte abraço do poeta Jorge Filó.
Recife - Pernambuco - Brasil
Um trecho do mais novo livro de Luis Fernando Veríssimo, "A décima segunda noite" (Editora Objetiva), que chega às livrarias em novembro.
Qualquer um, qualquer coisa, pode ser o narrador. Este é o poder absoluto do autor, o de escolher seu disfarce: Deus ou um adorno na parede, um descarnado olho cósmico acompanhando a vida dos seus personagens ou um bibelô, uma planta ou um bicho. Jean-Paul dizia, ou gritava, que Flaubert sabotava sua própria teoria sobre a necessária impessoalidade do autor porque o autor dos seus livros sempre se entregava: fosse qual fosse o seu disfarce, escrevia como Flaubert. Todas as suas máscaras tinham a mesma voz. A pior forma de presença do autor é a ausência conspícua, dizia Jean-Paul Deux. Que um dia confessou que me comprara por causa da minha prolixidade, embora ele quase não me deixasse falar. Não queria um conviva, queria um ouvinte. Eu não o ajudei, obviamente, e fui passado adiante. Só posso agradecer por não ter sido defenestrado num dos ataques de frustração de JP2. Depois de Jean-Paul II, o Ramão. O começo da minha fase brasileira. E a primeira vez que eu ouvi falar na Negra. O Ramão era exilado político e a Negra tinha lhe conseguido o apartamento. Pobre do Ramão. Só falava no Brasil. Se queixava do frio, da França, da vida e me contava o que deixara em Pernambuco. Aprendi o português com as lamúrias do Ramão, daí este meu sotaque franco-nordestino e esta nostalgia por uma terra que eu não conheço, esta saudade do nunca visto. A Negra tinha chegado do Brasil anos antes. Foi uma pioneira. Começou como travesti no Bois de Boulogne, se fingindo de homem porque francês gosta muito disso. Ganhou dinheiro, abriu um restaurante brasileiro, perdeu todo o dinheiro, formou um conjunto de música e dança chamado "Candombleu" e nessa época estava abrindo uma "Clinique Astrologique" em que botava cartas, jogava búzios, fazia mapa astral e dava banho de descarrego, porque francês gosta muito disso também. Mantinha uma agência mobiliária clandestina e era uma espécie de fada madrinha da colônia brasileira em Paris. Não havia nada que a Negra não conseguisse. As pessoas diziam "Vamos falar com a Negra" quando surgia um problema e havia o boato de que ela tinha encontros amorosos regulares com um alto funcionário do governo francês, aos quais ia vestida de homem e de mulher em dias alternados, e arranjava cartes de sejour na França para quem quisesse. Uma vez perguntaram à Negra qual era o seu sexo verdadeiro e ela respondeu "Sabe que eu não me lembro mais?". Conheci a Negra em pessoa quando o Ramão voltou para o Brasil anistiado e me vendeu a uma ex-bailarina do "Candombleu" chamada Xana que casara com um francês depressivo que um dia tentou me matar só porque eu citei Kierkegaard e John Lennon na mesma frase e ele não agüentava a idéia de um papagaio erudito, ou não agüentava mais os amigos brasileiros da Xana mas como não podia se meter com a Negra, que era o dobro do seu tamanho e o derrubaria com um rabo-de-arraia, avançou em mim, pobre de moi, com uma faca. Foi a Negra quem me salvou do francês depressivo e me levou para morar com a maluca da Tanira, que veio a Paris com uma bolsa para estudar ciência política na Sorbonne mas acabou com um negócio de empadinhas, financiado pela Negra, e que me recebeu aos gritos porque o cinza das minhas penas combinava com a cor do seu apartamento e… Eu sei, a história. Onde é que eu estava? Como eu vim parar no Illyria, um dos muitos salões do monsieur Orsino em Paris. Certo. Foi assim. O Orsino adora o Brasil. Quando comprou o salão de um grupo de gangsters iugoslavos decidiu que queria um ambiente brasileiro, com palmeiras, chapelões de palha, redes e berimbaus nas paredes e um papagaio. O Orsino é um grande cara. Diziam que ele também era gangster, da máfia, mas eu não acreditava. Eu dizia que ele era italiano mas saíra cedo. O nome do salão, Illyria, continuou o mesmo, mas ele queria que todo o resto fosse brasileiro. Procurou a Negra para providenciar a decoração, pediu um papagaio e a Negra pensou logo neste que vos fala sem parar. Só tinha um problema: minha cor. O cinza, que combinara tão bem com a tristeza do Ramão e com o apartamento da Tanira, não combinaria com os berimbaus e com os posters do Rio e da Bahia. Foi quando a Negra teve a idéia. Me pintaria — tará! — de verde e amarelo. Eu continuaria a morar com a Tanira, que estaria encarregada de retocar minha maquiagem, por assim dizer, sempre que fosse preciso, e passaria os dias no salão, implicando com os cabeleireiros o tempo inteiro, ouvindo os seus gritos de "Tais-toi, Henri!". Eu não me calava. Estava apenas cumprindo minha missão de papagaio, um competente e aplicado papagaio profissional brasileiro, e quando o Orsino visitava o salão eu cantava "Você abusou" junto com o Antônio Carlos e o Jocaffi e ensaiava uma ginga no poleiro para agradar le patron. Desperdiçada, além de desajeitada, porque ele jamais olhou para o meu lado. O que a gente não faz para sobreviver em Paris, nespá?
sentido (em todos os sentidos)
gosto de brincar com o significado,
adoro usar o sentido figurado.
sinto quando um amor está para germinar,
mas também tenho sentido quando o mesmo vai verminar.
gosto de brincar com palavras,
adoro procurá-las.
sinto quando devo buscar um sonho mais devagar,
mas também tenho sentido quando divagar.
wanderson uchoa
filhos do sol
relembramos as lutas e sofrimentos outrora vividos,
lamentamos os erros de povos divididos.
ontem reecontrei Peri,
que há muitos anos não andava por aqui.
caminhamos novamente pela densa floresta,
na verdade, pelo pouco que dela resta.
ontem reecontrei Peri,
que há muito tempo não lembrava de mim.
orgulhoso dos filhos que deixou,
descendentes daquela que sempre amou.
ontem reencontrei Peri,
o filho do sol que sempre amará Ceci.
wanderson uchoa
posto aqui um comentário especial, que não nasceu para ser comentário e sim texto principal… ‘reviver’ trouxe novamente a tona ‘recomeço’ de forma saudosa segundo o próprio autor!
portanto, abaixo o re-início em busca de outro, ou do mesmo, fim do ‘recomeço’:
"Recomeço
Por Sanderson Lima
A distância que separa o início do final realmente é indefinida. De todas as possibilidades podemos ver o evidente retorno. Temos o início que não reconhece fim, o fim em que não encontra o começo e o inicio que retrocede ao final.
Todo ciclo parece ser repetitivo, doce ilusão, pois, em todo ele encontramos "o novo". As experiências se repetem continuamente em minha mente, parecem surgir de sonhos, apresentam características de premonição. Vivendo tudo novamente, mas nunca de maneira igual, pois, mesmo acreditando em intuições, sei que nem tudo é tangível ao prévio planejamento.
O tempo de espera por um início nos coloca, espacialmente, mais distantes do fim e quanto mais nos afastamos do ponto inicial se mostra breve o recomeço. O caminho que nos leva ao fim é aquele trilhado na partida, estranho ao olho e inimigo do coração. E ao final, o/e começo, a desfrutar de incrementos d’"o novo", ínfimos e preparatórios. E aquele olhar de outrora passa a ter um significado, parece encantar e iludir. Aquele que é enganado nada pode fazer e não voltará e sentir esta amável estranheza em breve.
Reconheço tua beleza, vejo bela, e no meu reflexo, apenas espanto. Posso sim, e o quanto quiser, me aproximar do fim, mas ao tentar tocá-lo estarei de volta ao começo, não o mesmo, por isso te chamo recomeço."
O cabeção aqui também te ama irmão. Abraços!
volto depois de um período de recesso durante a campanha eleitoral do primeiro turno. a "greve" não foi por querer… não sei se coincidentemente, ou não, passei por uma fase de ‘branco’ no último mês. espero que a campanha para o segundo turno me traga mais cores e que a inspiração mais uma vez não cesse.
abaixo: REVIVER!
abraços,
wanderson uchoa
reviver
lembrar de você,
de sua palavra doce,
de seu olhar sereno,
é mais que novamente querer,
é reviver.
sonhar com você,
é mais que acordar feliz,
poder novamente em meus sonhos te ver,
é reviver.
falar com você,
é mais que tudo.
mesmo que em delírio,
mesmo que seja loucura
fazer o impossível acontecer,
eu e você,
é reviver.
wanderson uchoa